LINITIATION
surgiu
em outubro de 1888, sob o patrocínio dos "Hautes Études"
(Altos Estudos), movimento fundado pelo doutor Gérard Encausse,
mais conhecido como Papus. Não seria
exagero considerá-la a mais antiga revista do pensamento tradicional
e iniciático. Como a Ordem Martinista também foi fundada
por Papus, LINITIATION passou a ser considerada
como veículo do martinismo. Mas o desejo, tanto dele quanto de
seus continuadores, é que ela não esteja subordinada a
nenhum movimento martinista particular, mantendo-se aberta ao conjunto
das correntes esotéricas sérias.
As penas
mais prestigiosas do mundo iniciático da época colaboraram
nesta primeira série da revista, entre 1888 e 1914. Já
em seu primeiro número ela trazia matérias de Papus, Charles
Barlet e Joseph Péladan, entre outros, abordando temas como a
Franco-maçonaria, psicologia, sociologia e história da
tradição. Era então uma publicação
mensal, o que representa um acervo de nada menos que trezentos números,
com colaborações dos cérebros mais brilhantes de
então, numa verdadeira antologia do pensamento esotérico
e iniciático de uma época rica em espiritualidade, apesar
de trazer em seu bojo as contradições que puseram fim
à Belle Epoque, cujo golpe de misericórdia foi
a Primeira Guerra Mundial.
A guerra
interrompeu a publicação de LINITIATION.
Em 1916 Papus, que servira como médico no exército francês,
volta a Paris e morre vítima de uma pneumonia.
Charles
Detré (conhecido como Téder), que o sucedeu na direção
da Ordem Martinista, sobreviveu apenas dois anos a Papus. A partir daí
a Ordem fragmentou-se em muitas correntes. LInitiation
só voltaria a ser publicada em 1953, quando Philippe
Encausse, filho de Papus, avocou a si a tarefa de "ressuscitar"
a publicação. O primeiro número da nova fase, lançado
em janeiro de 1953, tinha entre seus colaboradores, além de Philippe
Encausse, Jean de Luquère, Robert Ambelain, André Dumas
e Eliane Brault. Entre os temas abordados, Martinismo e Martinesismo,
o progresso científico, as mulheres e a maçonaria e um
artigo intitulado Os mercadores do templo, onde o filho de Papus
se insurgia contra os falsos profetas da época. A revista era
então bimestral, tornando-se trimestral no ano seguinte, periodicidade
mantida até hoje.
Como seu
pai, Philippe Encausse soube reunir ao seu redor homens de talento.
As mais brilhantes penas esotéricas passaram a colaborar com
a revista: Robert Amadou, Henry Bac, Robert Deparis, Pierre Mariel,
Jean-Pierre Bayard, Serge Hutin, e tantos outros, que compartilhavam
os espaços da revista com os grandes antigos: Louis-Claude de
Saint-Martin, Saint-Yves dAlveydre, Sédir e, naturalmente,
Papus. Esta política é mantida até hoje e ajuda
a fazer de LINITIATION uma publicação
das mais atuais, mantendo vivo um acervo de textos de valor inestimável,
escritos pelos maiores vultos do mundo iniciático.
A partir
de 1975, vítima de uma gradativa cegueira, Philippe Encausse
passou a dividir as responsabilidades da revista com Yves-Fred
Boisset, a quem entregou a responsabilidade da publicação
pouco antes de morrer, em 1984. LINITIATION continua
sendo dirigida por Yves-Fred, que vem seguindo a orientação
estabelecida por Papus e por Philippe Encausse, velando para que a revista
permaneça aberta a todas as correntes tradicionais. O compromisso
é confirmado por seu cabeçalho: "Cadernos de documentação
esotérica tradicional Revista do pensamento martinista
e das diversas correntes iniciáticas".
Yves-Fred
Boisset, que supervisiona pessoalmente a edição brasileira
de LINITIATION, não abre mão
de manter a publicação como um prolongamento do pensamento
martinista "fora e além das diferentes estruturas e organizações
que o reclamam". Ele lembra sempre que o martinismo se liga
às grandes correntes iniciáticas que vêm desde os
gnósticos dos primeiros séculos da nossa era até
hoje, passando pelos hermetistas, alquimistas e rosacrucianos, todos portadores
e divulgadores da Verdadeira Luz.